uma região, marcada por várias aparições de seres elementares, encontra-se este lugar misterioso e milenar, onde as tradições hereditárias são preservadas ao longo dos séculos. Lá, os velhos se tornam cada vez mais velhos e os jovens seguem o mesmo caminho. Porém, a sabedoria vem com a idade, embora alguns provem o contrário. Em Attemborrow, habitam somente aqueles indivíduos que atingem o nirvana, depois de conseguirem penetrar o campo magnético, vencerem algumas provas de resistência e realizarem um exame psicotécnico.
O Vale de Attemborrow, contudo, não é de fácil localização. Somente podemos vê-lo, se nos concentrarmos e meditarmos com a sabedoria de um monge Shaolin. Sem a devida concentração, podemos até avistá-lo, algumas poucas e raras vezes por ano, principalmente durante o horário de verão, onde o alinhamento de suas doze luas acontece mais cedo. Ao longo desta época, podemos ver o Vale, bem ao longe, iluminado pelos raios de sol que incidem diretamente sobre suas construções típicas e colinas arborizadas. E por falar em tempo, os relógios do Vale seguem os nossos, pois os seres attemborriwanos necessitam manter atividades fora de lá, seguindo o nosso calendário, a fim de se socializarem com os meros mortais.
A organização política do Vale, em quase todos os aspectos, se parece com a nossa. A diferença mais marcante é que a última palavra em tudo, absolutamente tudo, deve ser dada por Vovó Attemborrow – a sábia grisalha – uma mulher de pouca estatura e muita idade. As decisões, depois de passarem pelo Conselho dos Anciãos – composto por onze velhos caquéticos, mas de extrema sabedoria – são enviadas para deliberação dos Filósofos Embriagados, da Gruta 51 – seis homens comuns que não falam coisa com coisa. O fato de não falarem nada que tenha sentido, faz com que os problemas ocultos nas decisões, venham à tona mais facilmente. De lá, finalmente seguem para Vovó, buscando sua aprovação ou veto. Tudo o que é aprovado por ela, se torna lei e é incorporado na Constituição Alienígena de Attemborrow – CAA.
A fruta símbolo do local, cuja árvore é protegida e adorada pelos attemborriwanos, é a nectarina. Os agricultores responsáveis pelo seu cultivo, anualmente reservam uma semana, geralmente na segunda quinzena de agosto, para o famoso Queen Nectaris Festival – uma festividade temática, que reúne toda a população, em torno da nectarina mãe.
Depois de Maromba e São Tomé das Letras, Attemborrow sempre foi um lugar cobiçado por místicos do mundo todo. Entretanto, somente um esteve tão perto de conseguir a incrível façanha de atravessar o campo magnético, sem a aprovação dos attemborriwanos (e sem fazer a meditação, as provas e o psicotécnico). Relacionando-se, hipnoticamente, com o Gigante Herman e o maléfico Arlequim Polonês, tal vidente, conhecido pela expressão “ligue já”, ficou a poucos passos de conseguir o seu intento. Porém, num ato quase reflexo e usando de sabedoria e premonição ímpares, Vovó Attemborrow proibiu que todas as campanhas publicitárias que envolvessem o nome do terrível e tosco vidente, fossem veiculadas. Desse modo, conseguiu impedir que os attemborriwanos fossem mentalmente controlados e forçados a deixar o campo de força desligado.