uper Richard tem um irmão. Aliás, quase todos os heróis têm irmãos e famílias, mesmo que não saibamos (a não ser que tenham alguma coisa a ver com a trama). Cazuza Simony Attemborrow. Sua mãe o batizou assim, porque desde a maternidade se encantava com algumas canções, que o deixavam numa alegria sem precedentes. Aliás, sempre que começava a chorar de fome, seus pais – ou quem estivesse por perto – davam início à “Operação Codinome Beija-Flor”, já que a única coisa que o acalmava era néctar misturado ao leite. E se fosse de lhama, melhor. O leite, não o néctar.
O tempo passou, Cazuza cresceu e passou a tomar suco de nectarina com limão de moita – uma espécie cítrica encontrada apenas nos arredores de Attemborrow. Quanto às músicas, não as abandonou. O walkman Pony – made in Bangladesh – que tinha ganhado no Natal, fornecia-lhe horas e horas de um repertório musical repetitivo e irritante – pelo menos até enquanto durassem as pilhas. A sorte é que apenas isso bastava para que ele ficasse calmo e deixasse as outras pessoas em paz.
Seu comportamento nunca foi exemplar e algumas de suas atitudes o transformavam numa espécie de anti-herói. Um olho aberto e o outro fechado, por mais de dez minutos, só podia significar uma coisa: Cazuza estava aprontando das suas. A primeira vez que usou este gesto, passou o dia todo trancado no banheiro, depois de comer treze enguias. Mas isso até que não era nada. Podem acreditar.